BIOGRAFIA E FATOS HISTÓRICOS
27 de junho
– Vlado Herzog nasce em Osijek,
Iugoslávia
(atual Croácia), filho único de Zigmund Herzog e
Zora Herzog.
6 de abril - Hitler invade a Iugoslávia. Com a ocupação nazista a perseguição aos judeus se intensifica e a família Herzog tem a casa e seus bens confiscados.
A família Herzog, fugindo da perseguição nazista se refugia na Itália. Neste período, para disfarçar a origem judaica, Vlado passa a usar o nome de Mário.
Dezembro – Com o término da guerra, a família Herzog desembarca no Rio de Janeiro. No início do ano seguinte mudam para São Paulo e passam a morar no bairro da Mooca.
2 de março – Assina os documentos para se naturalizar brasileiro e requer a carteira de identidade de estrangeiro. Na ocasião troca seu nome para Vladimir.
Março - Inicia o curso de filosofia na USP e, no mês seguinte, começa a trabalhar como jornalista na redação de O Estado de S. Paulo.
12 de julho – Obtem o certificado de naturalização.
Dezembro - Vlado frequenta o curso de cinema do documentarista sueco Arne Sucksdorff (1917-2001) no Rio de Janeiro.
Fevereiro
– Inicia-se as filmagens do curta metragem
Marimbás (roteiro e argumento de Herzog) como trabalho final
do curso ministrado por Sucksdorff. O filme foi realizado em som
direto, sendo uma das primeiras
experiências com esta técnica feitas no Brasil.
Neste ano, em companhia de Maurice Capovilla, Vlado viaja para a
Argentina onde freqüenta o Instituto de Cinematografia da
Universidade do Litoral no qual atuava o diretor Fernando Birri, que se
tornou grande amigo do jornalista.
15 de fevereiro
– Casa -se com com Clarice.
31 de março
– Um golpe militar depõe o presidente João
Goulart e instaura a ditadura militar no Brasil.
Julho - Vlado embarca para Londres com uma bolsa de estudos na British Broadcasting Corporation (BBC). Em dezembro Clarice vai ao encontro do marido.
13 de dezembro - É assinado pelo general Costa e Silva o Ato Institucional nº 5, cujos dispositivos endurecem ainda mais o regime militar brasileiro. Vlado planejara voltar ao Brasil dia 15 mas, em vista do ocorrido permanece mais alguns dias em Roma onde se encontrava para visitar o amigo Fernando Birri. Clarice já havia voltado ao Brasil com os dois filhos nascidos na Inglaterra (Ivo em 1966 e André em 1968) em meados do ano.
Janeiro - Herzog volta ao Brasil mas não consegue o emprego na TV Cultura como havia sido acertado durante seus estudos sobre produção de TV na Inglaterra.
3 de setembro
– Herzog assume a chefia do Departamento de
Jornalismo
da TV
Cultura.
25 de outubro
– Vlado se apresenta voluntariamente ao
DOI-CODI,
à rua Tomás Carvalhal, 1.030, onde é
preso, torturado e morto.
26 de outubro
- O comando do II Exército emite nota oficial
comunicando o suicídio do jornalista.
28 de outubro
– O corpo de Vlado é enterrado no
cemitério israelita. Por determinação
do rabino Henry Sobel ele não foi enterrado na ala dos
suicidas, contrariando a versão oficial da morte.
30 de outubro
– Por determinação do general Ednardo
d´Ávila Mello é instaurado
Inquérito Policial Militar (IPM) para
apurar as causas do “suicídio” do jornalista.
31 de outubro
– Celebrado por dom Paulo Evaristo Arns, rabino Henry
Sobel e o reverendo Jaime Wrigth um ato ecumênico na Catedral
da Sé com a presença de cerca de oito mil
pessoas.
7 de novembro
– O jornalista Rodolfo Konder, em depoimento extra
judicial, contradiz a versão oficial para a morte de
Vladimir Herzog.
17 de dezembro –
Apresentado a conclusão do IPM,
conduzido pelo general Cerqueira Lima, no qual é
reafirmado o suicidou por enforcamento de Vladimir Herzog.
6 de janeiro
– O Sindicato dos Jornalistas de São
Paulo
encaminha à Auditoria Militar um baixo-assinado com 467
assinaturas, intitulado ‘‘Em nome da verdade’’, em que questiona as
conclusões do IPM.
16 de janeiro
– assassinado no DOI-CODI o operário Manuel
Fiel Filho. As autoridades novamente tentam forjar um
suicídio para acobertar o crime.
17 de janeiro
– Demitido, pelo presidente Geisel, o general Ednardo
D'Ávila Mello, comandante do II Exército.
8 de março
- O IPM é arqivado pelo juiz-auditor
José Paulo Paiva, da Justiça Militar, que aceita
a versão oficial do suicídio.
20 de abril
– Clarice Herzog e filhos, Ivo e André, entram
com ação contra a União na
Justiça Federal de São Paulo, 7ª Vara
Cível, pleiteando que fosse declarada a responsabilidade da
União pela prisão, torturas e morte do
jornalista.
Lançado o filme Doramundo, dirigido por João Batista de Andrade, cujo roteiro inicial foi escrito por Vladimir Herzog. Em fevereiro do ano seguinte o filme foi premiado no 6º Festival de Cinema de Gramado (melhor filme, diretor e cenografia), na oportunidade João Batista dedicou o filme ao amigo assassinado pela ditadura.
23 de junho
- Concedida medida liminar pelo Tribunal Federal
de
Recursos, requerida pela União, que impediu a leitura da
sentença do juiz João Gomes Martins que estava
marcada para 26 de junho.
2 de julho -
O juiz João Gomes Martins completa 70 anos e,
devido a lei, aposenta-se compulsoriamente, sem revelar o teor de sua
sentença.
25 de outubro
– O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
declara este dia como Dia dos Direitos Humanos do Trabalhador.
29 de outubro
– O juiz Márcio José de Moraes, que
assumiu a 7ª Vara Cível, promulga
sentença onde julga procedente a ação
da família Herzog e condena a União por “danos
materiais e morais decorrentes da morte do jornalista”.
16 de janeiro
– A diretoria do Sindicato, atendendo um
abaixo-assinado
de 741 jornalistas, nomeia uma comissão sindicante para
analisar a conduta de Cláudio Marques nos
episódios que antecederam à morte de Vladimir
Herzog.
25 de outubro
– É lançado no auditório
Vladimir Herzog, às 19 horas, o livro Desaparecidos
Políticos, e, logo após, às 21 horas,
acontece a entrega do I Prêmio Jornalístico
Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
12 de novembro
– A assembléia convocada para analisar o
relatório da comissão sindicante delibera , por
93 votos a 2, pela expulsão do jornalista Cláudio
Martins Marques do quadro associativo do Sindicato.
5 de fevereiro – O jornalista Cláudio Martins Marques é reincluído no quadro associativo do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo por decisão judicial.
23 de outubro – É entregue, pela primeira vez, durante a XIV edição, a estatueta elaborada por Elifas Andreato que se tornaria o símbolo do prêmio Vladimir Herzog.
2 de setembro
- A TV Globo exibe, no programa Linha Direta, um
especial sobre o caso Herzog com depoimento de vários
envolvidos, mas sem ressaltar a importância do Sindicato dos
Jornalistas no episódio.
17 de outubro
– O jornal Correio Braziliense publica
três
fotos de um homem nu que supostamente seria Vladimir Herzog em uma cela
do DOI-CODI. Posteriormente fica comprovado que não se
tratava do jornalista mas sim de um religioso que também
fora vítima de perseguição
política durante a ditadura militar.
30 de setembro –
Lançado o
documentário Vlado, 30 anos depois, do cineasta
João Batista de Andrade. O diretor, amigo pessoal do
jornalista, havia trabalhado com Vlado na TV Cultura no
programa Hora da Notícia.
25 de outubro
– Como parte integrante dos eventos relativos
aos 30
anos do assassinato de Vlado é entregue o I Prêmio
Vladimir Herzog de Novos Talentos do Jornalismo, destinado aos
estudantes de jornalismo.
