BIOGRAFIA E FATOS HISTÓRICOS

1937

27 de junho – Vlado Herzog nasce em Osijek, Iugoslávia (atual Croácia), filho único de Zigmund Herzog e Zora Herzog.

1941

6 de abril - Hitler invade a Iugoslávia. Com a ocupação nazista a perseguição aos judeus se intensifica e a família Herzog tem a casa e seus bens confiscados.

1942

A família Herzog, fugindo da perseguição nazista se refugia na Itália. Neste período, para disfarçar a origem judaica, Vlado passa a usar o nome de Mário.

1946

Dezembro – Com o término da guerra, a família Herzog desembarca no Rio de Janeiro. No início do ano seguinte mudam para São Paulo e passam a morar no bairro da Mooca.

1955

2 de março – Assina os documentos para se naturalizar brasileiro e requer a carteira de identidade de estrangeiro. Na ocasião troca seu nome para Vladimir.

1959

Março - Inicia o curso de filosofia na USP e, no mês seguinte, começa a trabalhar como jornalista na redação de O Estado de S. Paulo.

1961

12 de julho – Obtem o certificado de naturalização.

1962

Dezembro - Vlado frequenta o curso de cinema do documentarista sueco Arne Sucksdorff (1917-2001) no Rio de Janeiro.

1963

Fevereiro – Inicia-se as filmagens do curta metragem Marimbás (roteiro e argumento de Herzog) como trabalho final do curso ministrado por Sucksdorff. O filme foi realizado em som direto, sendo uma das primeiras experiências com esta técnica feitas no Brasil.
Neste ano, em companhia de Maurice Capovilla, Vlado viaja para a Argentina onde freqüenta o Instituto de Cinematografia da Universidade do Litoral no qual atuava o diretor Fernando Birri, que se tornou grande amigo do jornalista.

1964

15 de fevereiro – Casa -se com com Clarice.
31 de março – Um golpe militar depõe o presidente João Goulart e instaura a ditadura militar no Brasil.

1965

Julho - Vlado embarca para Londres com uma bolsa de estudos na British Broadcasting Corporation (BBC). Em dezembro Clarice vai ao encontro do marido. 

1968

13 de dezembro -  É assinado pelo general Costa e Silva o Ato Institucional nº 5, cujos dispositivos endurecem ainda mais o regime militar brasileiro. Vlado planejara voltar ao Brasil dia 15 mas, em vista do ocorrido permanece mais alguns dias em Roma onde se encontrava para visitar o amigo Fernando Birri. Clarice já havia voltado ao Brasil com os dois filhos nascidos na Inglaterra (Ivo em 1966 e André em 1968) em meados do ano.

1969

Janeiro - Herzog volta ao Brasil mas não consegue o emprego na TV Cultura como havia sido acertado durante seus estudos sobre produção de TV na Inglaterra.

1975

3 de setembro – Herzog assume a chefia do Departamento de Jornalismo da TV Cultura.
25 de outubro – Vlado se apresenta voluntariamente ao DOI-CODI, à rua Tomás Carvalhal, 1.030, onde é preso, torturado e morto.
26 de outubro - O comando do II Exército emite nota oficial comunicando o suicídio do jornalista.
28 de outubro – O corpo de Vlado é enterrado no cemitério israelita. Por determinação do rabino Henry Sobel ele não foi enterrado na ala dos suicidas, contrariando a versão oficial da morte.
30 de outubro – Por determinação do general Ednardo d´Ávila Mello é instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as causas do “suicídio” do jornalista.
31 de outubro – Celebrado por dom Paulo Evaristo Arns, rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wrigth um ato ecumênico na Catedral da Sé com a presença de cerca de oito mil pessoas.
7 de novembro – O jornalista Rodolfo Konder, em depoimento extra judicial, contradiz a versão oficial para a morte de Vladimir Herzog.
17 de dezembro – Apresentado a conclusão do IPM, conduzido pelo general Cerqueira Lima, no qual é  reafirmado o suicidou por enforcamento de Vladimir Herzog.

1976

6 de janeiro – O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo encaminha à Auditoria Militar um baixo-assinado com 467 assinaturas, intitulado ‘‘Em nome da verdade’’, em que questiona as conclusões do IPM.
16 de janeiro – assassinado no DOI-CODI o operário Manuel Fiel Filho. As autoridades novamente tentam forjar um suicídio para acobertar o crime.
17 de janeiro – Demitido, pelo presidente Geisel, o general Ednardo D'Ávila Mello, comandante do II Exército.
8 de março - O IPM é arqivado pelo juiz-auditor José Paulo Paiva, da Justiça Militar, que aceita a versão oficial do suicídio.
20 de abril – Clarice Herzog e filhos, Ivo e André, entram com ação contra a União na Justiça Federal de São Paulo, 7ª Vara Cível, pleiteando que fosse declarada a responsabilidade da União pela prisão, torturas e morte do jornalista.

1977

Lançado o filme Doramundo, dirigido por João Batista de Andrade, cujo roteiro inicial foi escrito por Vladimir Herzog. Em fevereiro do ano seguinte o filme foi premiado no 6º Festival de Cinema de Gramado (melhor filme, diretor e cenografia), na oportunidade João Batista dedicou o filme ao amigo assassinado pela ditadura.

1978

23 de junho - Concedida medida liminar pelo Tribunal Federal de Recursos, requerida pela União, que impediu a leitura da sentença do juiz João Gomes Martins que estava marcada para 26 de junho.
2 de julho - O juiz João Gomes Martins completa 70 anos e, devido a lei, aposenta-se compulsoriamente, sem revelar o teor de sua sentença.
25 de outubro – O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo declara este dia como Dia dos Direitos Humanos do Trabalhador.
29 de outubro – O juiz Márcio José de Moraes, que assumiu a 7ª Vara Cível, promulga sentença onde julga procedente a ação da família Herzog e condena a União por “danos materiais e morais decorrentes da morte do jornalista”.

1979

16 de janeiro – A diretoria do Sindicato, atendendo um abaixo-assinado de 741 jornalistas, nomeia uma comissão sindicante para analisar a conduta de Cláudio Marques nos episódios que antecederam à morte de Vladimir Herzog.
25 de outubro – É lançado no auditório Vladimir Herzog, às 19 horas, o livro Desaparecidos Políticos, e, logo após, às 21 horas, acontece a entrega do I Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
12 de novembro – A assembléia convocada para analisar o relatório da comissão sindicante delibera , por 93 votos a 2, pela expulsão do jornalista Cláudio Martins Marques do quadro associativo do Sindicato.

1985

5 de fevereiro – O jornalista Cláudio Martins Marques é reincluído no quadro associativo do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo por decisão judicial.

1992

23 de outubro – É entregue, pela primeira vez, durante a XIV edição, a estatueta elaborada por Elifas Andreato que se tornaria o símbolo do prêmio Vladimir Herzog.

2004

2 de setembro - A TV Globo exibe, no programa Linha Direta, um especial sobre o caso Herzog com depoimento de vários envolvidos, mas sem ressaltar a importância do Sindicato dos Jornalistas no episódio.
17 de outubro – O jornal Correio Braziliense publica três fotos de um homem nu que supostamente seria Vladimir Herzog em uma cela do DOI-CODI. Posteriormente fica comprovado que não se tratava do jornalista mas sim de um religioso que também fora vítima de perseguição política durante a ditadura militar.

2005

30 de setembro – Lançado o documentário Vlado, 30 anos depois, do cineasta João Batista de Andrade. O diretor, amigo pessoal do jornalista, havia trabalhado com Vlado na TV Cultura no programa Hora da Notícia.
25 de outubro – Como parte integrante dos eventos relativos aos 30 anos do assassinato de Vlado é entregue o I Prêmio Vladimir Herzog de Novos Talentos do Jornalismo, destinado aos estudantes de jornalismo.

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