Os ganhadores do Troféu Especial de Imprensa ONU: 60 anos de Direitos Humanos são o jornalista e cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, falecido em 1988, e os jornalistas Caco Barcellos, Ricardo Kotscho, Zuenir Ventura e José Hamilton Ribeiro. Os vencedores foram anunciados no auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas em sete de outubro de 2008. Os nomes foram eleitos por um júri formado por mais de 500 jornalistas que, ao longo dos últimos 29 anos, receberam o Prêmio Vladimir Herzog.
O prêmio, uma estatueta confeccionada pelo artista plástico Elifas Andreato, foi entregue aos jornalistas durante a cerimônia de premiação do 30º Prêmio Vladimir Herzog, que aconteceu em 27 de outubro, no Tuca (Teatro da Pontifícia Universidade Católica - PUC), em São Paulo.
“Os cinco premiados são profissionais que, pelo conjunto do seu trabalho e carreira, mostram-se significativos, não só pela excelente qualidade do que produziram, mas por sua contribuição na defesa dos Direitos Humanos”, destacou o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas, Giancarlo Summa que lembrou ainda que sem o direito à comunicação, à liberdade de expressão e de imprensa, seria difícil imaginar o progresso nos direitos humanos, seja pelo seu papel de fiscalizar o que acontece, seja pela função de contar como esses direitos evoluem na sociedade.
O Troféu Especial Imprensa ONU: 60 anos de Direitos Humanos foi lançado como parte das comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a ser completados em 10 de dezembro de 2008, e do 30º aniversário do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
Caco Barcellos nasceu na periferia de Porto Alegre, em 5 de março de 1950. Começou no jornalismo como repórter do jornal Folha da Manhã, do grupo gaúcho Caldas Júnior. Foi um dos criadores da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre e da antiga revista Versus, que apresentava grandes reportagens sobre a América Latina. A partir de 2001 passou a atuar como correspondente internacional, em Londres, para a Rede Globo. O autor dos livros “Rota 66, a história da polícia que mata” e “Abusado, o dono do morro Dona Marta” é referência no jornalismo investigativo, com grandes reportagens sobre injustiça social e violência. Caco Barcellos ganhou o Prêmio Vladimir Herzog em 1982, 1983, 1984, 1996, 2001 e 2003.
Henrique de Souza Filho, o Henfil, nasceu em 5 de fevereiro de 1944, em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. O cartunista, jornalista, e escritor começou a trabalhar fazendo caricatura política para o Diário de Minas. Durante sua carreira, colaborou com as revistas Visão, Realidade, Placar e o Cruzeiro. Em 1969, se fixou no semanário Pasquim e no Jornal do Brasil. O pai da “graúna” e dos “fradinhos” ficou conhecido pelo desenho humorístico político e sua crítica afiada, com personagens tipicamente brasileiros. Henfil morreu no Rio de Janeiro, em 4 de janeiro de 1988, com 43 anos. Ele ganhou o Prêmio Vladimir Herzog em 1981 e, por duas vezes (para trabalhos veiculados na IstoÉ e na Rede Globo), em 1982.
José Hamilton Ribeiro nasceu na cidade de Santa Rosa do Viterbo, nordeste do Estado de São Paulo, em agosto de 1932. No jornalismo teve as primeiras experiências durante o grêmio estudantil, quando dirigiu o jornal da escola. Aos vinte anos, entrou na Faculdade de Jornalismo da Cásper Líbero. Foi repórter da Folha de São Paulo e redator-chefe das revistas Quatro Rodas e Realidade. Fez a cobertura da guerra do Vietnã, em 1968, quando perdeu uma perna na explosão de uma mina. Trabalhou ainda no Globo Repórter, Fantástico e Globo Rural, onde há vinte anos exerce as funções de repórter e editor. José Hamilton Ribeiro ganhou o Prêmio Vladimir Herzog em 1983 (duas vezes), 1984 e 1987.
Ricardo Kotscho nasceu em São Paulo, no ano de 1948. Com 15 anos iniciou sua carreira no jornal Verbômidas, do Colégio Santa Cruz, onde estudava. Foi contratado como repórter do Estado de S. Paulo e três anos depois, já era editor do jornal. Trabalhou em quase todos os grandes veículos de mídia do país: Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, IstoÉ, entre muitos outros. Kotscho é autor de mais de uma dezena de livros e de centenas de reportagens sobre problemas sociais no país. De 2003 ao final de 2004 foi secretário de comunicação do presidente Lula, de quem fora assessor de imprensa nas campanhas eleitorais de 1989, 1994 e 2002. Ricardo Kotscho ganhou o Prêmio Vladimir Herzog em 1981 e 1983.
Nascido na cidade mineira de Além Paraíba, em 1931, Zuenir Ventura teve seu primeiro emprego ajudando o pai a pintar casas. Em 1954 se mudou para o Rio de Janeiro e se formou em letras pela UFRJ. Em 1959, ganha bolsa de estudos do governo francês e vai estudar no Centro de Formação de Jornalistas, em Paris. Na mesma época trabalha como correspondente da revista Tribuna. Foi editor do Caderno B e criador do suplemento Idéias, ambos no Jornal do Brasil. Ventura é autor dos best-sellers “1968, O Ano que não Terminou” e “Cidade Partida”, entre outros. Zuenir Ventura ganhou o Prêmio Vladimir Herzog em 1989, com a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, publicada no Jornal do Brasil.
